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Provisórios sobre mini-implantes, em casos de agenesia — Para quê?

Uma revisão de artigos sobre a utilização de coroas provisórias sobre mini-implantes, como forma de substituição temporária, em casos de agenesia.


Este assunto foi despertado, a partir desta ótima foto, de uma paciente do sexo feminino, com idade de 14 anos, publicada originalmente no Instagram de um ortodontista e que foi compartilhada no nosso Grupo de Whatsapp (Ortodontia & Gestão).


Artigos Publicados

Mesmo após uma extensa busca no PubMed, não foi possível localizar mais que cinco trabalhos publicados sobre o assunto. Todos são estudos de casos clínicos.


Basicamente, existem duas abordagens diferentes para a execução dos provisóvios apoiados em mini-implantes:

  1. Mini-implantes verticais: os parafusos são inseridos verticalmente no osso alvelar, similarmente à posição dos implantes convencionais. - Técnica com mini-implantes ortodônticos padrões; - Técnica com mini-implantes em duas ou três peças, com encaixe similar aos implantes convencionais.

  2. Mini-implantes horizontais: os parafusos são inseridos horizontalmente, paralelos ao plano oclusal, a partir da mucosa palatina. Técnica apresentada por Birte Melsen.

Vou falar sobre um artigo de cada técnica, porque os demais são similares.


MINI-IMPLANTES VERTICAIS: Benedict Wilmes e outros.

J Clin Orthod. 2014 Jul; 48 (7). [3]










Nesta publicação, os autores apresentam a técnica de inserção vertical de mini-implante no topo do rebordo alveolar e coroa provisória, como uma alternativa vantajosa para as contenções convencionais, representadas pelos aparelhos removíveis com dentes e próteses adesivas.


Em suma, é como a execução de um implante convencional, com a diferença de que em vez do cilindro de implante convencional, é utilizado um parafuso de mini-implante em três peças - João Miguel Machado

A maior parte da publicação está centrada na técnica de execução do implante e das coroas provisórias: especificação dos parafusos, peças protéticas e sequência clínica.

Argumentação principal


Os autores argumentam que “esta abordagem representa uma substituição temporária, estética e estável do dente e ainda preserva o osso de suporte”.


O que apresentam como evidência


Apresentam três casos clínicos, tratados com a técnica: duas meninas de 14 anos e uma de 13 anos. A documentação apresentada inclui fotografia intrabucal e radiografias panorâmicas e periapicais iniciais.

Principais “lacunas”do trabalho


  1. Não apresenta fotografias intrabucais de controle no período de follow-up, que seriam importantes para comprovar que não houve o esperado desnivelamento do contorno cervical do implante em relação aos dentes vizinhos, que continuariam a erupcionar.

  2. As radiografias de controle no período de follow-up são de muito baixa qualidade e não servem para comparar os níveis do osso alveolar ao longo do tempo.

  3. Não apresenta nenhuma evidência que comprove sua hipótese de que a técnica “preserva o osso de suporte”. Não há medições, radiografias ou tomografias comparativas.

Outros aspectos interessantes


Autores citam um clássico trabalho de V. Kokich, F. Spear e D. Mathew [1], para suportar sua afirmação de que “um implante dental não deve ser instalado em um paciente com menos de 18 anos, para evitar que fique em infraoclusão, como resultado do crescimento e erupção dos dentes vizinhos”.Não foi bem isso que V. Kokich e seus colegas publicaram. Eles enfatizaram que o momento ideal para a execução do implante, não é determinado pela idade cronológica (18 anos) e sim pela finalização do crescimento facial vertical do paciente, que deve ser comprovado pela superposição de teleradiografias laterais, com intervalo de 6 a 12 meses.

O que eu acho


É um trabalho de autores respeitáveis e que bem demonstra uma técnica operatória para execução de um mini-implante com uma coroa provisória em casos de agenesia de incisivos.

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